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Expor o Artifício

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O cinema de M. Night Shyamalan sempre preza por uma ingenuidade fantástica. A cada nova iteração de sua obra, o diretor americano de ascendência indiana reformula a própria abordagem, seja ao tratar de diferentes gêneros — passando mais notavelmente pelo horror, mas também pela ficção científica, pelo filme de catástrofe, e até pelo melodrama com veias calcadas no cinema oriental — ou de forma menos evidente, através de escolhas formais que modulam e sintetizam os mundos criados por M. Night, e de forma inversamente proporcional, preservando um impacto único e poderoso em cada um de seus filmes. Em Tempo (2021), ou Old, as coisas ficam um pouco diferentes. As decisões estéticas de Shyamalan, ao mesmo tempo que manifestam um poderoso acordo entre o pacto ficcional entre cineasta e espectador, guardam nos momentos finais do longa a cartada mais definidora da obra, ao expor toda a engenharia formal do diretor com uma frontalidade corajosa. Pela primeira vez em sua cinegrafia, a fantasia n...

Carol e a recusa pelo maneirismo

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Torna-se evidente, ao experienciar alguns de seus filmes, que a maior das qualidades do cineasta americano Todd Haynes é partir de contextos teoricamente simples, lidar com elementos-base da encenação cinematográfica, para assim elucidar questões grandiloquentes, meditar sobre relações abrangentes e universais. A obra de Haynes assume uma recusa ativa pelo artifício, encontra no minimalismo um caminho formal absolutamente possibilitador, dentro de uma operação tão paradoxal quanto poderosa em suas articulações. É um cinema clássico que, inegavelmente, quer reafirmar sua posição na contemporaneidade. Safe, filme dirigido por Haynes lançado em 1995, lança mão de toda essa economia encenativa para meditar basicamente sobre toda a sociedade moderna no século 21. Se o filme de 95 se concretiza em um comentário sociocultural bastante definidor, temos em Carol (2015), lançado duas décadas depois, uma evolução natural para a filmografia de Haynes, já que o filme acaba sendo um comentário sobre...

Paisagem em ruínas: adentrando o portal do paraíso

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  Inserido no contexto da Nova Hollywood, o cineasta Michael Cimino representa um ponto de ruptura no cinema americano, com seu primeiro longa, e dando continuidade em seus dois filmes seguintes. O diretor inaugura, talvez, uma espécie de separação desse cinema de suas raízes modernas ao mesmo tempo que, para isso, lance mão de iconografias dos grandes mestres. Cimino bebe de fontes evidentes de cineastas americanos, realiza composições que remetem diretamente a maneira com que John Ford, por exemplo, assimilava esteticamente os vastos exteriores de seus cenários para sintetizar um certo espírito americano calcado na contemplação. Por outro lado, existe nisso um ideal de subversão bem específico, que faz seus filmes não se limitarem ao simples jogo reverencial, mas demarcarem o ponto de ruptura supracitado: segundo os três filmes iniciais de Cimino, para subverter é necessário homenagear, e vice-versa. Capaz que seja justamente isso que torne Cimino o cineasta sublime que é.  ...

Invocação do Mal 3: Drama e fantasia

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Após os feitos categóricos de James Wan nos dois primeiros filmes da franquia 'Invocação do Mal', a terceira iteração da série de horror nos presenteia com caras novas á direção, com o diretor Michael Chaves tomando as rédeas para fechar essa trilogia principal, este que já havia dirigido um dos derivados, o longa 'A Maldição da Chorona' (sobre o qual não irei tecer comentários, visto que não o assisti, e consequentemente não irei tecer comentários sobre o autorismo de Chaves, me baseando unicamente nesse meu primeiro contato com o cineasta).  Nesse terceiro, acompanhamos os Warren em mais uma de suas epopeias para provar a existência do sobrenatural e combater forças misteriosas que se apossam de cidadãos comuns. Dessa vez, um caso de assassinato em que o infrator alegou ter sido possuído por um demônio ao cometer o ato se transforma na meta narrativa do longa, tipo de premissa inicial que aparece novamente na franquia, aquela famosa tática empregada por filmes como ...